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As três correntes da ação do Estado

Arthur Ituassu - 01/03/2005
Na tentativa de se pensar as relações entre a sociedade civil e o Estado brasileiro, é fácil perceber as três correntes que servem de opção política ao eleitorado. Cada uma delas representa uma ''qualidade'' no que diz respeito à atuação do poder público na vida social.

A ''tradicional'' expõe os anseios do ''nacionalismo'', uma forma de organização político-social que dá prioridade às condições do ''Estado'' e da ''nação''. É a corrente que se preocupa com o fortalecimento interno e externo do setor público, como forma de garantir o bem-estar no país. Não estabelece limites à intervenção do Estado na vida do cidadão, prega o protecionismo e a autarquia, procura o desenvolvimento nuclear e se apresenta no PT, em alguns setores do PMDB - como o do ex-governador Anthony Garotinho - e, por incrível que pareça, no Partido Liberal do vice-presidente José Alencar.

É chamada de ''tradicional'' porque vigora no país desde os tempos de Getúlio Vargas, tendo expressão também em Jango e no regime militar, em especial na gestão Ernesto Geisel.

Os ''socialistas'' são outros que procuram reforçar a participação do setor público.

As prioridades ''socialistas'' estão voltadas para as condições do corpo social. Partidários da corrente pregam a expansão do Estado para que este trabalhe em prol das necessidades da sociedade, como a educação básica e a saúde pública. A corrente está representada em especial pelo PPS do senador Roberto Freire e talvez na figura do ministro Ciro Gomes.

Finalmente, os ''liberais'' são os que focam na situação do indivíduo. Impõem os limites mais claros à expansão dos gastos da Viúva e procuram defender a reforma do Estado, para que esteja voltado à geração de bens públicos, cobrando menos impostos da sociedade e ampliando o acesso ao crédito. São os que defendem funções primordiais ao governo, como prover educação básica, saúde pública, acesso à Justiça e segurança interna e externa. Estão representados no PSDB e em poucos setores do PFL.


No Brasil forte mas pobre de hoje, a situação dos 40 milhões de excluídos está nas mãos de liberais ou socialistas, sendo que a segunda corrente se associa à expansão ainda maior do Estado e da carga tributária. Os outros são os outros e só.









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