08/07/2005
Londres
(7/7): assimetria e sofrimento
Arthur Ituassu (publicado no Jornal do Brasil, 09/07/2005)
Muito se diz da novidade que o terrorismo, certamente sem qualquer sentido positivo, representa à vida política internacional. Na verdade, em si, o “terrorismo” já faz parte do ambiente internacional há muito anos, para não dizer muitas décadas ou séculos. Assim posto, não é nenhuma novidade. No entanto, como representado nos recentes ataques a Londres, Madri e Nova York, o terror mostra um certo grau de novidade, ao menos na história recente, quando se apresenta como uma guerra assimétrica de agenda internacional.
Guerras assimétricas não são novidade. Israel, Irlanda, Espanha, Paquistão, Índia, Rússia, China, Colômbia talvez mesmo brasileiros, à medida que o crime organizado é entendido como uma guerra assimétrica econômica, vivem o dia a dia de um conflito deste tipo há décadas, pelo menos. A história recente da África pode ser entendida como um tempo predominado por guerras assimétricas, onde apenas um dos lados se representa como “nacional”, organizado militarmente em um “Exército”, com uma bandeira, uma moeda, uma burocracia e uma “nação” por trás.
Até então, as guerras assimétricas eram limitadas às questões nacionais/domésticas – como no caso da Irlanda e da Espanha -, no máximo regionais, como no caso de Israel. Neste ponto, o 11 de Setembro se torna um ponto de inflexão ao internacionalizar ou globalizar uma guerra assimétrica antes limitada ao Oriente Médio. À medida que é construída uma guerra assimétrica ao ponto de ser estabelecida uma aliança internacional de enfrentamento, a situação se torna sem precedentes, em especial quando percebe-se que o principal campo de batalha de conflitos deste tipo é a vida da população civil.
O contexto apresenta um grupo armado, organizado, revolucionário, com uma plataforma clara de transformação: a “des-secularização” dos Estados árabes. Transformar os Estados árabes talvez em um único grande Estado regido pelas leis do Coorão (e não com base em uma Constituição, como no caso de Estados seculares). De fato, pretendem “des-secularizar” até mesmo Estados não-seculares como a Arábia Saudita, regida pelo Coorão mas certamente de forma inepta, segundo os partidários do radicalismo islâmico. Na verdade, este grupo deseja seguir nada menos que o exemplo do persa Irã e dos muçulmanos xiitas que já possuem seu grande Estado religioso.
Do outro lado, há um projeto completamente diferente em voga: o de transformar os Estados árabes (e também o Irã) – percebidos como locus de origem da mão de obra e do financiamento terrorista – em democracias de livre mercado; em ambientes de liberdade política e econômica.
É transparente que os planos são, na verdade, expressões nacionalistas. Enquanto o governo americano abraça a fórmula dos Founding Fathers, a Europa, ao mesmo tempo, busca defender soluções com base em um federalismo constitucional de nações, sob o pilar dos princípios humanistas, e os islâmicos radicais procuram as inquestionáveis palavras de Deus.
O grande problema é que a internacionalização ou a globalização da guerra assimétrica origina uma ruptura nos paradigmas de segurança nacional dos países. A idéia da deterrência ou da dissuasão, pela força militar, aparece totalmente inoperante à medida que nações com orçamentos militares gigantescos e sofisticados não são capazes de constituir um plano de segurança para a vida em comunidade, como a Grã-Bretanha e, principalmente, os Estados Unidos, que gastam mais em armas do que o conjunto das despesas de Europa, China e Rússia.
A partir disso, percebe-se a possibilidade de que os parâmetros que estão sendo utilizados na abordagem do problema pertençam a outro tempo histórico (anacronismo) e que as bases fundamentais da vida comunidade moderna estão sendo atacadas. Afinal, a narrativa histórica canônica e de referência para o devir social é a de Thomas Hobbes, onde a estrutura legal, representada no Leviatã, é garantia da vida em segurança.

A big mess in Brazil (Open Democracy)
Arthur Ituassu
The South African president, Thabo Mbeki, sacked his deputy Jacob Zuma on 14 June over a corruption scandal. Today in Brazil, President Luis Inácio Lula da Silva’s chief of staff José Dirceu – one of the most powerful figures in Brazil’s government – did not wait to be pushed.
Dirceu furiously denies the
vote-buying allegations that impelled his resignation. The markets may be happy, the Venezuelan leader Hugo Chávez sad, and Brazil’s opposition delighted, but for
Lula himself it is a black moment.
The
resignation follows testimony to a congressional committee on 14 June
by Roberto Jefferson, head of the small Labour Party (PTB) that
supports Lula in parliamentary votes, that government officials have paid congressmen from other parties to support
Lula’s policies.
A lot of money is involved. For a businessman to earn the same monthly payment that is alleged to have routinely changed hands (Rs$30,000, or a little more than $10,000) he would have to work pretty hard in Brazil. Lula’s government was slow to announce an investigation into the affair, and the one it launched has had little effect. Lula’s governing Workers’ Party (Partido dos Trabalhadores, PT) is suffering in the opinion polls from the taint of corruption.
Continua...http://www.opendemocracy.com/democracy-protest/corruption_2611.jsp#