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Os EUA e a missão sagrada da
liberdade
Arthur Ituassu - 07/03/2005
O
historiador americano Arthur Schelesinger Jr. escreveu, certa vez, que
o calvinismo é o ponto de partida para se entender a tradição política
americana. Marcado por uma forte percepção negativa com relação à
natureza do Homem, o calvinismo tem como elemento fundamental a
precariedade da existência, além da inevitabilidade da depravação e da
vaidade. Fadado ao pecado, o Homem calvinista é vigiado de perto por
uma divindade impiedosa e onipresente.
No campo da política
externa, o sentido
religioso calvinista suscita
idéias poderosas e perigosas. A história que é uma provação, mas é
também grandiosa, gera a noção de que foi concebida a ''fórmula da
felicidade''. Na tradição americana, a lógica se torna clara na
transposição da democracia como modelo de transformação do mundo, seja
no sentido pragmático - pelo interesse da garantia de segurança, que
parte do princípio de que povos livres não guerreiam -, seja no sentido
ideológico/religioso - pela missão de um povo escolhido por Deus, o
''farol'' que leva a luz aos povos, a ''cidade (sagrada) sobre a
montanha''.
''A causa da América é
em grande medida a
causa de toda a humanidade'',
escreveu o revolucionário Thomas Paine. ''A providência banhou essa
terra favorecida com suas bençãos e escolheu seu povo como guardião da
liberdade, para preservá-la em benefício da humanidade''.
Thomas Jefferson, o
autor da Declaração da
Independência, via
claramente a experiência americana como uma missão que ultrapassa
fronteiras.
''Enquanto estamos
construindo os nossos
direitos e a nossa prosperidade, apontamos o caminho às nações em
luta'', escreveu.
A Constituição dos EUA
se torna assim uma
provação contra a história. O
teste final se os homens são ou não capazes de viver em liberdade. A
América se transforma na terra escolhida/prometida por Deus. A origem
da redenção. Ao fugir da ''tirania'' na Europa, em especial a
religiosa, os americanos receberam a missão sagrada da liberdade.
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