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  • Arthur Ituassu

O voto do brasileiro e as eleições de 2018


O último livro de Alberto Carlos Almeida, "O voto do brasileiro" (2018), lançado em maio pela editora Record, apresenta uma tese simples com potencial de levantar muitas questões, em especial acerca das eleições 2018. Em suma, Almeida mostra que o voto para presidente no Brasil tem se configurado de modo bastante previsível. Isso fica claro nos mapas abaixo, com as votações de PT (vermelho) e PSDB (azul) em 2006, 2010 e 2014.

Eleição presidencial no Brasil - segundo turno (2006, 2010 e 2014)

FONTE: ALMEIDA, 2018.

Além da semelhança dos três mapas, Almeida mostra a relação entre as escolhas eleitorais e o nível de renda do cidadão (com a exceção do Pará), comparando a dimensão da renda do IDH dos municípios no Brasil de 2010 com a média dos resultados eleitorais entre 2006 e 2014. A tendência caracterizaria, segundo o autor, um voto de centro-esquerda por parte daqueles com renda relativa menor, em busca de proteção do Estado, e de centro-direita por parte daqueles com renda relativa maior, em busca de um Estado mais eficiente.

Dimensão da renda do IDH no Brasil, por município (2010)

FONTE: ALMEIDA, 2018.

Média dos resultados eleitorais (2006-2014)

FONTE: ALMEIDA, 2018.

Almeida também sugere que o padrão brasileiro pouco difere do que acontece hoje na Alemanha, Espanha, Inglaterra ou Itália – este último caso, de nosso interesse especial, em função da Operação Mãos Limpas, na década de 1990. Depois do expurgo, a despeito da mudança de nome dos partidos, a clivagem centro-esquerda/centro-direita retornou sob nova configuração.

A partir disso, o autor foi inteligente em não dar ao leitor previsões para 2018, preferindo incentivá-lo a buscar suas próprias. Hoje, a poucos meses do primeiro turno das presidenciais de 2018, PT e PSDB apresentam grandes desafiadores em seus territórios: Ciro Gomes ou Marina Silva, pela esquerda, e Jair Bolsonaro, pela direita – embora o último não possa ser considerado de centro-direita. Além disso, os padrões apresentados apontam a relevância da ruptura recente, que tirou do poder um governo de centro-esquerda eleito pelo cidadão de renda relativa mais baixa e colocou no lugar um governo de centro-direita não eleito pelo voto.

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