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  • Arthur Ituassu

Lula e o BC

Atualizado: 24 de fev.

A partir de hoje, o blog passa a analisar o novo governo.


Não há dúvidas que as falas de Lula sobre o BC mais atrapalham que ajudam. Os questionamentos sobre as vantagens e desvantagens da independência do BC são legítimos, mas a forma como isso está sendo colocado pelo presidente atrapalha mais que ajuda, tensionando a relação entre o mercado e o governo.


Ao mesmo tempo, independência não combina com partidarismo. De todos os governadores que tomaram posse recentemente no país, Roberto Campos Neto escolheu prestigiar a de Tarcísio de Freitas, junto ao ex-ministro da Advocacia-Geral da União do governo Jair Bolsonaro, Bruno Bianco, o almirante Flávio Rocha, ex-secretário especial de Assuntos Estratégicos, e o publicitário Sérgio Lima, que trabalhou na campanha de Bolsonaro.


Em maio do ano passado, o presidente do BC participou de um show privado organizado para Jair Bolsonaro no interior de SP. Estavam no evento o ex-ministro da Defesa Walter Braga Netto, vice na chapa governista candidata à reeleição, e o empresário Luciano Hang. Além deles, estava também o ministro-chefe da Secretaria de Governo de Jair Bolsonaro, Célio Faria Jr.


Não basta defender a independência, é preciso colocá-la em prática não só nas decisões técnicas, mas também no comportamento político. Se um dos objetivos principais do BC é combater a inflação, talvez Roberto Campos Neto devesse pensar menos em polemizar com o Lula e mais em dar apoio ao moderado Fernando Haddad.


Afinal, com apenas um mês de novo governo, a nota exagerada do BC sobre a taxa de juros também mais atrapalhou que ajudou o país. Em uma só tacada, ela chamou a atenção para o bolsonarismo de Roberto Campos Neto, enfraqueceu a posição do ministro da Fazenda e alimentou o discurso mais à esquerda para a economia.


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